terça-feira, 27 de setembro de 2011

Orisa - Multiplicidade

A multiplicidade do panteão de divindades, que produziu o mesmo efeito no candomblés do Brasil, pode ser explicada através do seguinte quadro:

1: O mesmo Òrisà e venerado com outros nomes em religiões diferentes, tornando-se outra divindade:

Ìrókò                (yoruba)       Lóko     (jeje)
Sàpònná           (uoruba)       Sapata   (jeje)
Sángó                (Òyó)         Òrànfè    (Ifè)
Yemonja        (Abéòkúta)     Mawu    (jeje)

2: O mesmo òrisà e reverenciado em cidades diferentes, passando a ter o segundo nome designado o lugar de origem do culto:

Ògún Oniré           (Ìré)         Ògùn Edejé             (Ilodo)
Òsun Òsogbo    (Òsogbo)    Òsun Yeyepondá    (Ipondá)

Èsù Jelú                (Ijèlú)      Èsú Woro                 (Woro)

3: O mesmo òrisà recebe outros nomes de acordo com seus atributos ou fatos relativos às suas realializações

Ògún Mejèèje: refere-se as lutas contra as sete cidades antes de Ògún invadir a cidade de Ìrè
Èsù Akésan: é a denominação de Èsù quando assentado para a prática dos jogos divinatórios;
Ìyárí: é aversão de Yemonja como a dona das cabeças;
Obalùwáyé: titulo que Omolu recebe e que significa " Rei e Senhor da Terra "
Yansàn: titulo de Oya com duplo significado: "Mãe da Tarde" ou  "Mãe dos Nove" (orun)
Òsáigbó: titulo de Òsàála como rei dos igbó
Ìyáominibú: denominação de Òsun como a Mãe das Águas Profundas.

4: Heróis,Reis e Guerreiros entram no panteão das divindades através da excessiva veneração por parte do povo:

Òrànmíyàn: rei de Òyó e pai de Sangó
Odùdúwà: rei de Ifé e ancestral do povo yorubá
Aganjú: 4º rei de Òyó e filho de Àjàká

5: O enredo de um òrisà com outro cria interferência e amplitude de seus poderes, advindo dai um novo nome:

Òsun e Òsóòsí: Yeyeòkè
Yemonja e Ògùn: Ògúnté

Este crescimento no panteão das divindades fez aumentar, paralelamente, o número de símbolos, cânticos e rituais, com a noção exata de que todas as divindades são reais portadoras de caracterizações variadas divindades principais

Orun Àiyé: José Beniste: pag 93

sábado, 17 de setembro de 2011

QUANTO PAGAR E PORQUE PAGAR

Que fique muito claro que, a todo instante e durante todo o texto que abaixo será observado pelo leitor atento, refiro-me aos VERDADEIROS SACERDOTES de Òrúnmìlà, ou dos Cultos aos outros Òrìsà do panteão religioso Yorùbá. Estarei referindo-me aos sinceros e honestos praticantes de uma Religião digna e honrada que é a Religião que nos foi legada pelo povo Yorùbá. Pais e Mães de Santo, INESCRUPULOSOS, estão excluídos das referencias que faço abaixo, porque entendo que estes títulos já viraram sinonimo de Macumbeiro, aqueles que só comercializam com a Fé.

PAGAMENTOS REALIZADOS EM DINHEIRO PELOS PRÉSTIMOS AOS ÒRÌSÀ

É esta uma das mais comuns observações e críticas que vejo ser dirigida para a Religião dos Òrìsà, tendo como alvo direto o Babaláwo ou o Bàbálòrìsà /Ìyálòrìsà, ou seja, a cobrança por parte do Sacerdote e os pagamentos feitos pelos ritos que serão realizados. Excluídas todas as ressalvas que já foram exaustivamente feitas em defesa desta prática sagrada, que é o pagamento para que sejam ministrados os sacramentos que toda religião possui, e que não exclui a Religião dos Òrìsà, devo tentar fazer lembrar alguns fatos que no meu ver são de extrema relevância, tanto ao Sacerdote como ao Fiel ou Iniciado. Quando alguém paga para a realização de algum rito dirigido aos Òrìsà, ele está:

1. Contribuindo para a continuidade da existência de um Templo Sagrado dos Òrìsà, fato que gera condições para que a religião, onde sua fé está depositada, continue a existir;

-          Ajudando a custear a manutenção de um Sacerdote que dedica sua vida a prestar serviços religiosos para o bem estar daqueles que o procuram;
-          Colaborando para que o Sacerdote tenha tempo e condições de praticar, estudar e aprender mais sobre sua própria Religião, e com isso oferecer mais aos seus fiéis;
-          E outros.

Se todas as citações acima são de suma importância, julgo que existe outra ponderação mais importante, ou seja:
Quando um Fiel, ou um Iniciado, paga para que um ritual seja presidido, ele está "gastando seu dinheiro", na maioria das vezes, com sua própria Orí (cabeça, energia primordial, Orisa principal, energia interior) ou com seus próprios Òrìsà.

PODE HAVER UM DINHEIRO MAIS BEM EMPREGADO DO QUE ESTE?

Parece-me que os pagantes se esquecem disso! Mas ainda, não chegamos ao ápice da questão. A grande e maior importância que deve ser dada ao dinheiro que é gasto com a Religião está diretamente relacionada com o fato de se estar dedicando o sacrifício para ganhar o dinheiro, empregando um determinado valor para uma obra de Elédùmarè (Deus).

Em síntese: Eu observo que as pessoas relacionadas com a Umbanda e o Candomblé RECLAMAM por gastar seu dinheiro com suas próprias Orí, com seus próprios Òrìsà e principalmente com os templos da sua própria religião, onde se pratica a obra de Elédùmarè (Deus).

Mas, EXIGIR e cobrar o melhor para si, todos exigem.
Como alguém pode querer receber com amor, se não dá com amor?
Aqui está uma das grandes chaves para o sucesso, ou para o fracasso, de qualquer rito realizado nos Templos dos Cultos aos Òrìsà. Todas as religiões ensinam seus fiéis a dar amor para Deus. E este dar não envolve somente dar coisas abstractas, mas envolve também em dar coisas concretas, materiais e necessárias para a manutenção e existência da continuidade da religião.

Elogio aqui muitos cristãos que já aprenderam a doar para as suas igrejas, ENTENDENDO que aquilo que doam é pela necessidade que sentem de fazer com que a palavra do Deus que eles acreditam seja expandida e difundida aos quatro cantos do mundo. É assim que crescem as Igrejas Evangélicas, muitas vezes causando ciúme para seus próprios irmãos da mesma fé. Mas, literalmente oposto a isso, vejo que nas casas de Cultos Afro-brasileiros as pessoas reclamam por gastar seu dinheiro com as obras de Deus, reclamam que seus Babá e Ìyá são pessoas ignorantes e sem cultura, reclamam que sua religião está sendo massacrada na mídia, mas eu pergunto:

Qual a condição financeira que estas pessoas, que reclamam, dão para que este quadro seja revertido, já que ninguém quer pagar para obter o auxílio do Sacerdote ou do Templo que frequenta?  
As Ilé Àse Òrìsà, conhecidas como Casas de Santo, não são também a Casa de Deus?
Quem paga pode exigir! Exigir que o Sacerdote estude e se aprimore. Exigir que o Templo seja limpo e bem cuidado. Exigir receber ensinamentos. O Sacerdote pode até ser rico e a Ilé Òrìsà pode até ser luxuosa, desde que seus Fiéis e Filhos Iniciados também tenham sabedoria, riqueza e sucesso. Esta é a troca, que todos desejam obter de Elédùmarè (Deus) quando vão buscar o auxílio dos Òrìsà através do Sacerdote Bàbálòrìsà. Se, egoisticamente, alguém nega parte do que tem de material para as obras de Deus, o que poderá esperar em troca? Faça sua religião ser grande e forte, e você será sábio, rico e próspero. Seja mesquinho com as obras de Deus e com sua religião, e sua vida se resumirá num eterno pedir e reclamar. E, se por acaso, o Bàbálòrìsà, o Rabino, o Padre ou o Pastor empregar mal o dinheiro que recebe, a responsabilidade espiritual é dele. Faça você a sua parte, doando para as obras onde seu Deus se encontra, sempre com amor e sem apego. O Sacerdote ou o Templo são, para você, meros instrumentos. Lembre-se que, perante Elédùmarè (Deus), cada um é responsável pelos seus atos.

Awofá Ifákemi Miguel Ti’obatalá
EGBE MÒGÀJÍ IFÁ (COMUNIDADE HERDEIROS DE IFÁ/GO)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Perfil das Pessoas - Tendências e Temperamentos que os Òrisàs oferecem

Èsù:
Carácter variavél, ao mesmo tempo bom e ruim - compreensão dos problemas alheios - são conselheiros e intrigantes - procuram fazer tudo certo, mas se resolvem, fazem tudo errado - são pessoas fortes e incasáveis - intrigantes, desordeiros, animados, alegres e brincalhões - gostam de fiscalizar os outros, gostam de resolver encrencas que surgem - ciumento e interesseiros.

Ògún:
Nada temem - atlético, agressivos e de mau humor - como maridos são brutais e insensíveis - viris e conquistadores - costumam separar e juntar - são rápidos - agem sem pensar - ofendem-se facilmente - insistentes naquilo que desejam - emotivos, impacientes e brigões - arrependem-se facilmente - gostam de comer bem e de beber - temperamento difícil - muita iniciativa.

Òsósòsì:
São espertos,ágeis,esbeltos _ tem senso de responsabilidade - apaixonados, rômanticos, carinhosos, volúveis, narcisistas - são festeiros - amáveis, educados e muito estimados - podem chegar a ser falsos e traiçoeiros - qualidades artísticas, criatividade, iniciativas, curiosos - agressivos e francos a ponto de serem grosseiros - não guardam segredos.

Òsányìn: Frágeis, saúde delicada,responsáveis,volúveis sem ambições - são dados a estudos e reflexões - sonhadores - esquisitos e desligados - preservam a liberdade - propensão à homossexualidade - dotados de muita energia - prestativo - carentes - desinteressados - ligados a família, mas gostam de viver de forma independente.

Omolu: Possuem a marca do òrìsà no corpo - resistência diante das doenças - relacionamentos social difícil - os homens não têm sorte com mulheres - se for mulher pode não ser boa mãe - gostam de família - dedicam-se a outras pessoas a ponto de esquecer de si próprios - generosos  e com senso de responsabilidade - gostam de se modificar - reservados e caseiro - o que é seu é seu - não admitem que nada lhes seja tomado - muita intuição.

Òsumarê: Tendências à riqueza - generosidade - não negam ajuda - têm beleza - são elegantes e despertam atenções - são pessoas dadas a surpresas - dinâmicos e curiosos - inteligentes, espertos, pacientes, perseverantes, exibicionistas, raivosos - possuem cacoetes - são uma cobra embrulhada num papel de presente - dão o bote sem esperar.

Nànà: São velhas antes do tempo - lenta nos atos e ações - calmas, equilibradas, trabalhadoras, gentis, dignas - têm reservas sobres homens - resistências física, austera, sem beleza ou vaidade - não suportam desordem e desperdício - gostam de crianças - reclamam muito - são sábias, carinhosas, ranzinzas - são dadas a cozinhar e costurar.

Òsun: Graciosas, elegantes, sensuais, delicadas - o encanto é a arma para conseguir  que desejam - chegam a ser infantis - não recusam nada -  premonição - podem ser perigosas - falsas - o rio está calmo mas a pessoa se afoga - adoram joiás - tendências a perdê-las -  busca de posição social -  emotivas - voz suave - dependentes - meigas,sorridentes, às vezes preguiçosas - problemas conjugais - astutas.

Obà: Mulheres valorosas - são incompreendidas - atitudes agressivas em consequência de experiências não bem sucedidas - tendências viris - ambiciosas, buscam nada perder - masculinizadas - forte aparência física - não levam desaforos - julgam-se superiores junto ao marido ou a outras mulheres.

Yemonja: Impresiveis como as ondas - ciumentas - esposas e mães zelosas - perdoam mas não esquecem - desconfiadas - fazem as coisas e tiram o corpo fora - aparentemente calmas - dão para os negócios - se forem magras, fogem do conceito e se tornam perigosas - exigentes no respeito à posição assumida.

Yánsan: Audaciosas, poderosas, astutas e ciumentas - dedicadas ao companheiro, não admitindo ser enganadas - fiéis e leais, podendo mudar, caso sejam contrariadas em seus projetos - vistosas, bonitas, possessivos - atividade sexual - são do momento - sentem -se bem diante dos problemas - sabem viver nas tempestades - irrequietas - energia e dinamismo.

Sángo: Conscientes de uma suposta realeza - sentimentos ligados a justiça - não admitem sem contrariados, podendo ser violentos e incontroláveis - tendências à obesidade - ligados a mãe - liderança -gostam da vida, mas temem a morte  - vingativos - orgulhosos, teimosos, atrevidos, elegantes, gulosos, dorminhoco - não são asseados - conquistadores - infiéis - cimentos - senhores de sua  obrigação - pão duros -  não sabem perdoar - brincalhões

Lógun Ède: Bonitos e de trato fácil - orgulhosos de sua beleza - são eternos jovens mulherengo -  calmos, educados, ciumento, individualistas, pão duros, narcisistas - o que é seu é seu - vaidosos -  gostam de demonstrar grandeza -  quando vêem roupa cara e outra barata, compram a mais cara.

Òsàlúfón: Pessoas calmas e dignas - teimosas - não mudam planos mesmo com opiniões contrárias - assumem a consequência de seus atos - frágeis - podem ter defeito de nascença no corpo - friorentos, vingativos - podem ficar afastados dos instintos carnais - auto controle - perfeição, gostos simples, observadores, odeiam barulho, sugeria e desordem - chegam a ser altamente respeitáveis - não perdoam - irritam os outros com a sua prepotência e segurança - liderança - gulosos - se fizerem para eles, haverá retorno - pão duros.

Òsàgiàn: Alto - robustos, amigos das mulheres - gostam de mandar - vaidosos - dificuldades no emprego - não gostam de ser mandados - procuram impressionar - faladores -  brincalhões - intuição - alegres - gostam da vida - não são agressivos - mandões - preguiçosos  - sonsos - podem vir a ser falços - dividem tudo que tem

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Iyá Nasso

Iya Nassô Ylorixa conhecida como fundadora do Mitico Candomblé da Barroquinha juntamente com outras duas Iyas preservadas na tradição oral do Candomblé bahiano de Ketu Iya Akala e Iya Adeta são ladeadas de mistérios e segredos em um tempo quase imemoravel.
No entanto nos últimos anos muitos tem sido os interessados em desvendar este mistério que paira sobre a origem do Candomblé de Ketu. Além de Pierre Verger, Vivaldo Costa Lima, Nina Rodrigues entre outros, temos alguns contemporâneos como Renato da Silveira e Lisa Earl Castilho que trazem a tona muitos documentos que apontam para desmitificação desta história.

Em sua pesquisa documental Lisa Earl Castilho, que foi publicada pela revista Afro-Asia em sua edição 36 de 2007. Ela através de uma pesquisa profunda nos arquivos públicos da Bahia traz a luz inumeros documentos como testamentos, ocorrências policiais, cartas de alforria, petições entre outros que apontam a identidade "brasileira" de Iya Nasso, que como ja esclarecido por diversos entendidos do assunto, é o nome de um titulo da corte do Alafin de Oyo, responsável pelo culto a Sango e divindades secundarias ligadas a este no palacio de Oyo, importante cidade-estado durante séculos.

Através do testamento deixado por Marcelina da Silva (Obatossi) em que ela descreve seu desejo em que seja celebrada in memorian missa a seus antigos senhores Jose Pedro Autran e Francisca Silva casados, moradores da Ladeira do Passo, na Freguesia do Passo em Salvador e seu filho Domingos a pesquisadora da inicio a uma serie de desenrolares na história acerca dessa figura lendária.
Através de outros documentos, ela identifica que este senhores a que Marcelina (Obatossi) cita em seu testamento eram negros da Costa forros libertos, e também proprietário de escravos, já que naquela época a posse de escravos era considerado um investimento seguro e lucrativo, mesmo por parte de ex escravos, que apesar do preconceito existente ascenderam economicamente na Bahia daqueles tempos. Esta senhora e seu marido Jose Pedro Autran constam em muitos documentos principalmente em concessão de alforrias, em especial em fevereiro de 1937 que concederam mais de 15 alforrias a seus escravos inclusive Marcelina (Obatossi) e sua filha a crioula Magdalena constando mais tarde em Outubro na alfândega registros destes e seus escravos alforriados vistos para viagem a África mais especificamente a Costa como era conhecida aquela região da África naqueles tempos. Isso comprova o que diz a tradição oral a respeito da viagem a África por Iya Nasso e Obatossi relatada por Mãe Senhora a Pierre Verger e Costa Lima.
Mas o fato motivador da viagem desta de volta a África pode ter sido por outras razões que não o de aperfeiçoar seu conhecimento a respeito do culto aos Orisás.
Considerando a hipótese apontada pela pesquisadora de que Francisca Silva seria a lendária Iya Nassô, "comprovada" por toda documentação pesquisada, esta teria saido do Brasil por conta da perseguição estabelecida pelas autoridades após a revolta do malês na Bahia, tendo seu filho como um dos suspeitos da insurreição. Ela em defesa de seu filho, Domingos, citado por Obatossi em seu testamento opta por deixar o país em troca de seu filho ser deportado. Segundo a pesquisadora após Outubro de 1837 nada mais indicava um retorno de Francisca Silva (Iya Nassô) a Bahia, tendo possivelmente falecido por lá. No entanto em meados nos anos de 1840 documentos voltam a apontar Marcelina Silva (Obatossi) tais como registros de batismo, escrituras de imóveis apontando que esta voltou da viagem a África e se estabeleceu novamente na Bahia, possivelmente assumindo o culto deixado por Iya Nassô, e mais tarde fundando o Terreiro da Casa Branca o Ilê Axe Iya Nassô Oka.

Na pesquisa um outro descrito interessante refere-se a prisão de seus filhos suspeitos de participantes da Revolta do Malês, ns ocorrências policiais testemunhos de pessoas próximas da casa de Francisca Silva descreve festas com a presença de um grande numero de nagos, vestidos de branco e vermelho com colares no pescoço, cânticos em língua yoruba, possivelmente um culto a Sango já que seu outro filho Thomé possuía registro de origem, ele vinha de Oyo.
Todos estes fatos documentados apontam para uma hipótese bastante concreta de que Francisca Silva tenha sido Iya Nassô e que esta tenha de fato trazido consigo o culto a Sango e talvez outras divindades secundarias daquela região de Oyo, e tenha voltado a África sem retorno a Bahia, porem deixado para sempre seu nome registrado na história do Candomblé de Ketu, sucedida anos depois por Marcelina Silva (Obatossi) que mais tarde o lado de Iya Adeta e Akala fundam a Casa Branca.

Concluindo todos estes fatos constatados a hipótese é de que Iya Nassô tenha sido mesmo a Sra Francisca Silva e tenha cultuado Sango em sua própria casa até sua partida para África, permanecendo no Brasil ainda Iya Adeta e Akala que promoviam também em suas casas cultos a Odé (Oxossi) e Aira. A outra hipótese que conclui-se é que o Candomblé da Barroquinha a que todos se referiam eram os festejos realizados no salão de festa anexo a Igreja da Barroquinha, sede da Irmandade do Martirios, aonde realizam a sombra do sincretismo festas a seus Orixás, o Candomblé como conhecemos hoje so teria passado a existir a partir da fundação da Casa Branca.

Oração São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

História Zé Pilintra


José Emerenciano nasceu em Pernambuco, filho de uma escrava forra com seu ex-dono, teve algumas oportunidades na vida.Trabalhou em serviços de gabinete, mas não suportava a rotina.Estudou, pouco, pois não tinha paciência para isso.
Gostava mesmo era de farra, bebida e mulheres, não uma ou duas, mas muitas. Houve uma época em que estava tão encrencado em sua cidade natal que teve que fugir e tentar novos ares.Foi assim que Emerenciano surgiu na Cidade Maravilhosa.

Sempre fiel aos seus princípios, está claro que o lugar escolhido havia de ser a Lapa, reduto dos marginais e mulheres de vida fácil na época.
Em pouco tempo passou a viver do dinheiro arrecadado por suas "meninas", que apaixonadas pela bela estampa do negro, dividiam o pouco que ganhavam com o suor de seus corpos.
Não foram poucas as vezes que Emerenciano teve que enfrentar marginais em defesa daquelas que lhe davam o pão de cada dia.E que defesa!
Era impiedoso com quem ousasse atravessar seu caminho.
Carregava sempre consigo um punhal de cabo de osso, que dizia ser seu amuleto, e com ele rasgara muita carne de bandido atrevido, como gostava de dizer entre gargalhadas, quando nas mesas dos botecos de sua preferência.
Bebia muito, adorava o álcool, desde a cachaça mais humilde até o isque mais requintado.E em diversas ocasiões suas meninas o arrastaram praticamente inconsciente para o quarto de uma delas.
Contudo, era feliz, ou dizia que era, o que dá quase no mesmo. Até que conheceu Amparo, mulher do sargento Savério.

Era a visão mais linda que tivera em sua existência. A bela loura de olhos claros, deixava-o em êxtase apenas por passar em sua frente.
Resolveu mudar de vida e partiu para a conquista da deusa loura, como costumava chama-la.
Parou de beber, em demasia, claro!
Não era homem também de ser afrouxado por ninguém, e uns golezinhos aqui e ali não faziam mal a ninguém.
Dispensou duas de suas meninas, precisava ficar com pelo menos uma, o dinheiro tinha que entrar, não é?
Julgava-se então o homem perfeito para a bela Amparo.
Começou então a cercar a mulher, que jamais lhe lançara um olhar.
Aos amigos dizia que ambos estavam apaixonados e já tinha tudo preparado para levá-la para Pernambuco, onde viveriam de amor.

Aos poucos a história foi correndo, apostas se fizeram, uns garantiam que Emerenciano, porreta como era, ia conseguir seu intento.
Outros duvidavam Amparo nunca demonstrara nenhuma intimidade por menor que fosse que justificasse a fanfarronice do homem.

O pior tinha que acontecer, cedo ou tarde.
O Sargento foi informado pela mulher da insistente pressão a que estava submetida.
Disposto a defender a honra da esposa marcou um encontro com o rival.
Emerenciano ria, enquanto dizia aos amigos:
- É claro que vou, ele quer me dar a mulher? Eu aceito! Vou aqui com meu amigo...
- E mostrava seu punhal para quem quisesse ver.

Na noite marcada vestiu-se com seu melhor terno e dirigiu-se ao botequim onde aconteceria a conversa.
Pediu uísque, não era noite para cachaça, e começou a bebericar mansamente.
Confiava em seu taco e muito mais em seu punhal.
Se fosse briga o que ele queria, ia ter.
Ao esvaziar o copo ouviu um grito atrás de si:
- Safado!
- Levantou-se rapidamente e virou-se para o chamado.

O tiro foi certeiro.

O rosto de Emerenciano foi destroçado e seu corpo caiu num baque surdo.
Recebido no astral por espíritos em missão evolutiva, logo se mostrou arrependido de seus atos e tomou seu lugar junto a falange de Zé Pelintra.

Com a história tão parecida com a do mestre em questão, outra linha não lhe seria adequada.
Hoje, trabalhador nos terreiros na qualidade de Zé Pelintra do Cabo, diverte e orienta com firmeza a quem o procura.
Não perdeu, porém a picar dia dos tempos de José Emerenciano.
Sarava Seu Zé Pelintra!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011