terça-feira, 3 de maio de 2011

Cerimônias para Ogum


Cerimônias dignas de serem mencionadas celebravam-se com regularidade na região de Ahori (no lado nigeriano) ou Holi (no lado daomeano), realizavam-se todas no dia da semana ioruba dedicado a Ogum, ou seja, de quatro em quatro dias. Os Ọsẹ nla (“grandes domingos”) alternavam se com os  Ọsẹ kékeré (“pequenos domingos”); os primeiros tinham mais esplendor que os outros. Esta região Ahori-Holi ficava relativamente preservada da ação “civilizadora” das administrações coloniais e daquelas que as sucederam. A estrada que atravessa Holi, ligando Kêto ao sul de ex-Daomé, só foi aberta em 1953, em virtude da natureza pantanosa de algumas partes dessa região, ou seja, apenas sete anos antes da independência desses paises.

Citamos, a seguir, alguns dos numerosos templos de Ogum nessas paragens:
Ogún Igiri em Adja Were,
Ogún Edeyi em Ilodo,
Ogún Ondó em Pobê, em Igbó-Isso e em Irokonyi,
Ogún Igboigbo em Ixedé,
Ogún Elénjo em Ibanion e em Modogan,
Ogún Agbo em Ixapo,
Ogún Ọlópẹ em Ixedé Ije,
Ogún Abẹsan em Ibanigbe Fuditi.
Trata-se de um só e único ogum, cujo segundo nome designa ou o lugar de origem, como Ondô, ou o nome do fundador, ou, ainda, o nome de uma divindade como no último da relação, para qual ele serve de guardião.
O aspecto desses templos era notável. Situados, geralmente, em lugares calmos e isolados, no meio de uma clareira cercada de arvores frondosas. Apresentavam a forma semelhante a de uma cabana redonda, com telhado cônico e pontiagudo, precedidos por uma galeria ornada com pilastras esculpidas. Construídos com materiais locais: engradamento de madeira, telhado de palha ou de folhas de palmeira trançadas, paredes feitas de bambu.
Os templos dedicados a Ogún Ondô eram de estilo diferente. Todos eles tinham em comum o telhado de cumeeira alta, com duas águas descendo quase até o chão. Vistos de frente, pareciam uma muralha elevada, tendo, ao nível do solo, uma entrada cuja verga era tão baixa que só se podia penetrar no interior do templo curvando-se muito, de maneira respeitosa, ou então rastejando-se com apoio dos cotovelos e joelhos.

O templo de Igbo-Isso, apresentado neste trabalho, perto de Aba, conservou essas características. O de Podê, que conhecemos em 1936, era um edifício majestoso com telhados de palha, alto e pontudo, mas, infelizmente, católicos zelosos, estimulados pelos sermões “incendiários” de um reverendo missionário que, do púlpito, esbravejava sempre contra as religiões pagãs, julgaram por bem “ajudar a Providência” ateando fogo ao templo de Ondó numa noite de verão. Foi uma bela fogueira cuja conseqüência foi a reconstrução do templo, com material à prova de fogo, coberto por um telhado de zinco ondulado, semelhante a um galpão ou um galinheiro. Para dar graça ao conjunto e, ao mesmo tempo, amedrontar os incendiários, desenharam, acima da porta, dois leopardos mostrando todas as suas garras.
Ad cerimônias Ọsẹ nlà, em Ògún Ondó, realiza-se numa grande praça, de cerca de cem metros de comprimento por trinta de largura, que era antigamente, uma clareira no meio de uma floresta. Com o tempo essa floresta ficou reduzida a uma estreita faixa de árvores, formando uma cortina medíocre entre o recinto sagrado e a cidade. O templo de Ondó esta situado em um dos lados maiores do retângulo. Defronte, encontra-se outro templo menor e circular, dedicado a Arè, e no fundo, onde devia ser antigamente a entrada da clareira, um templo igualmente circular, de Èşù Ẹlẹgbára. Este conjunto se completa por dois pequenos cercados quadrados, de cinqüenta centímetros de lado, chamados idomosun. Num deles, no começo da cerimônia, colocam-se o osun de cada um dos principais dignitários; o outro é reservado ao osun de Olúpọnahá ainda, em diversos locais, troncos de árvores deitados no chão, servindo de assento aos diversos participantes da cerimônia.
Os principais oficiantes do culto de Ògún Ondó são:
Aláàşẹ, responsável pelo àşẹ do orixá. Ele não entra em transe e seu papel é semelhante ao dos Mọgbà Şangó, do qual trataremos mais adiante. Aláàşẹ era antigamente o chefe religioso mais importante da comunidade e é, ainda, saudado com um título de Kábiyèsí, reservado aos reis. Ele senta-se durante a cerimônia ao lado do templo de Ògún Ondó.
Saba que é assistente de Aláàşẹ, entra em transe de possessão por Ògun Ondó durante o oşẹ;
Ọkẹrẹ, assistente de Saba; são dois em geral, e ambos são possuídos (“montados” – gùn) por Ògún Ondó. Se sentam lado a lado, perto do idomosum.
Isa, que cuida de Arè e toma lugar perto do seu templo, é durante a cerimônia possuído por esta divindade.

Olápòna, que se ocupa de Exu e senta-se perto do seu templo, é por ele possuído por ele muitas vezes, é acompanhado por um Olápòna de um outro templo de Ogún, vindo de alguma cidade vizinha.
Há ainda cerca de outros vinte olóyè, portadores de títulos, que não entram em transe e têm, cada um deles, seu lugar reservado, de onde assistem a cerimônia e dela participam. Entre eles há os ẹgbẹnlá, os soldados de Ogum, armados com grandes facões e longos bastões.
Duas mulheres consagradas a Dúdúa, nome dado na região a Òrìşàálá, sentam-se perto dos Ọkẹrẹ, mas permanecem como meras espectadoras e contentam-se em bater em instrumentos de ferro, em sinal de respeitosa atenção, nos momentos mais solenes. Há ainda as ìyàwó (iaôs) de Ondó, que cantam em seu louvor.
Ao lado do templo de Arẹ instala-se o conjunto, composto de três atabaques e um agogô. Os atabaques são: uma aposi, pequeno tambor em terracota; um ogidan, tambor alongado colocado rente ao chão; e o kele, pequeno tambor com pés.
Os participantes do ọsẹ de Ògún Ondó chegam de manha cedinho. Aláàşẹ, Saba, os Ọkẹrẹ, Isa ou os Olúpọna vestem-se com um pano colorido, amarrado no ombro direito. Têm na cabeça um gorro de palha pontudo, enfeitado com grandes penas de galo e penas vermelhas da cauda de papagaios. Os pulsos são ornados com numerosas pulseiras de contas de vidro de diversas cores. Eles trazem numa das mãos seus osun de ferro que vão colocar no idomosun. Na outra mão, tem um facão e dois grandes chocalhos (ààjà), que são batidos um no outro enquanto caminham. Olúpọna traz ainda um ọgọ, bastão esculpido de forma fálica.
Todos vão se sentar em seus respectivos lugares, com ar severo e recolhido. As ìyàwó de Ògún Ondó em seguida trazendo oferendas de alimentos para as divindades: Ògún Ondó, Arẹ e Èşù. As grandes gamelas são colocadas nas portas dos três templos. Saba, ajudado pelos Ọkẹrẹ, Isa e os Olúpọna levantam-se com a cabeça descoberta, deixando seus gorros, ààjà e facões em seus respectivos lugares e entram em atividade, nos seus templos respectivos, colocados ali uma parte das oferendas preparadas com inhame e feijão, regadas com azeite-de-dendê. Põem uma porção desses alimentos em seus osun para que os antigos titulares do posto, atualmente ocupados por eles, participem também da festa.
Em seguida, fazem oferendas de divindade para divindade e para os diversos olóyè. Isso provoca uma série de idas e vindas em que cada divindade recebe, em troca de seus donativos, um contradonativo dos dois outros. Resulta desses intercâmbios uma refeição comunitária em que participam todos os espectadores do ọsẹ.
Os oficiantes do culto consultam as divindades utilizando nozes de cola para verificarem se os deuses estão satisfeitos, em seguida alguns dos dignitários vão se reunir em um local que era outrora uma clareira adjacente, para deliberarem e comentarem o resultado das consultas. Ao cabo de certo tempo, voltam e sentam-se nos lugares que lhe são reservados.

Um período de calma sucede a toda essa agitação, após o que, os músicos entram em ação. Executam uma série de invocações. Aláposi bate alguns compassos em seu tambor aposi, que esta preso entre seus joelhos; Ológidan, cavalgando seu instrumento ogidan colocado no chão, o acompanha. Esses dois tambores formam um conjunto falante, emitem sons ondulados, de acordo com a pressão mais ou menos intensa de uma das mãos do executante sobre os couros dos tambores, invocando os deuses. O terceiro tambor, kele, está no chão, diante de Oníkele, que nele bate com duas varetas numa cadência extremamente rápida. Vez por outra ele é substituído por um dos seus assistentes, que mantém o ritmo, com a mesma cadência acelerada, criando com seu tom agudo uma atmosfera de tensão nervosa que, em certos momentos, torna-se quase insuportável.
O conjunto toca assim, por períodos interrompidos por curtos e repentinos momentos de silêncio. Essas interrupções contribuem para criar uma sensação de anciosa expectativa. Na sétima vez, os Olúpọna dão um grito estridente. A expressão de seus rostos transforma-se. Põem gorro pontudo, pegam seus ààjà e seus ọgọ, com eles tocam três vezes o chão e levantam-se de um salto. Seus gritos são retomados por Saba, pelos dois Ọkẹrẹ, sentados lado a lado, e por Isa. Enquanto os atabaques fazem suas chamadas, todos passam pelas mesmas fases de tensão e de concentração progressivas. Apertam nervosamente suas mãos, com os dedos 
entrelaçados, seus músculos se contraem, baixam a cabeça, fazem a testa e cerram os dentes. São, então, possuídos respectivamente por Èşù, Ògún Ondó e Arẹ. Cada um deles dá um grito estridente e levanta-se de um só impulso, saltando muito alto, e vão, apressadamente, reunir-se diante do templo de Ògún Ondó.
A expressão dos rostos mudou de novo. Agora estão com um ar descontraído, folgazão e vagamente alegre, balançando a cabeça e resmungando frases inacabadas. Caminham com passos irregulares, desajeitadamente, levantando muito os pés. Quando param, eles se estremecem  e oscilam para frente e para trás, bem devagar.
O conjunto toca sem parar mas em surdina. Os elégùn, possuídos pelos deuses, com Olúpọna à frente, partem em fila e correm ofegantes, com o corpo inclinado para frente e arrastando os pés. Vão em direção à entrada da clareira e a outros lugares, parando um momento agitado seus ààjà, saúdam os quatro cantos do mundo. Em seguida, vão cumprimentar Aláàşẹ, que esta sentado perto do templo de Ògún Ondó. Aproximam-se um a um, passam cuidadosamente seus ààjà e seu facão para  a mão direita e com a esquerda apertam a de Aláàşẹ, sacudindo-a com força. Tocam três vezes o chão com seus ààjà, entrechocam-nos com força e regularidade e executam, assim uma verdadeira música de ferreiros que lembra o som do martelo batendo sobre uma bigorna. Formulam, com voz de falsete votos de prosperidade e de felicidade. Vão em seguida saudar da mesma forma todos os dignitários, os tocadores de atabaques, os ẹgbẹnlá e os ìyàwó de Ògún Ondó. O ritmo da música transforma-se e torna-se cada vez mais rápido. Os elégùn começam então a dançar, lado a lado, como numa quadrilha e seguindo, cuidadosamente o compasso marcado pela música, indo do templo de Ondó ao de Arẹ. Recuando, voltam ao ponto de partida e continuam dançando durante um bom tempo, um pouco pesadamente e em diversas direções, marcando seus movimentos com o som de sinos entrechocados. A música pára e os elégùn também. Passam a caminhar de um lado para o outro, com passos ora apressados, ora indolentes, mas sempre desajeitados e hesitantes. Eles profetizam, cantarolam e alternadamente sorriem ou ficam carrancudos; levantam as sobrancelhas, arregalam os olhos ou, com ar beato, exprimem votos aos presentes. Por fim, vão se sentar em seu lugar habitual, resignadamente, com a cabeça baixa e o queixo encostado no peito. Por instantes são agitados por tremores, mas pouco a pouco, voltam a si e retomam sua expressão e comportamentos habituais.
Para os fon do Daomé, Gun desempenha o mesmo papel que Ogun dos iorubas, mas como Odùdùa, é desconhecido em Abomey. Gun, aí, é considerado o filho de Lisa e Mawu, versão fon de Orìşàálá e Yemowo. Maximilien Quénum o compara a Lẹgba e assinala sua presença diante das forjas. Christian Merlo indica que “todos os templos têm seu Gun, cuja virtude é fortificar o vodun”.  

OGUM (ÒGÚN)


Ògún na África

Ogum, como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador do Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apossou-se da cidade de Ire, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, “Rei de Ire”. Por razões que ignoramos, Ogum nunca teve direito de usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de miçangas, dissimulando o rosto, emblema da realeza para os iorubas. Foi autorizado a usar um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado, até hoje sob os nomes de Ògún Oníìré e Ògún Aláàkòró inclusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos iorubas trazidos para esses lugares.
Ogum teria sido o mais enérgico dos filhos de Odùduà e foi ele que se tornou regente do reino de Ifé quando Odùduà ficou temporariamente cego.
Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho. Infelizmente, as pessoas celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mais ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente por muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava sua fome e sua sede, os habitantes de Ire cantavam louvores onde não faltavam a menção a Ògúnjajá, que vem da frase Ògún jẹ aja (“Ogum come cachorro”), o que lhe valeu o nome de Ògúnjá. Satisfeito e acalmado Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão  e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o invocou. Porém elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontra inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ogum se lançará.
Como orixá, Ogum é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse material: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores. Desde o início do século, os mecânicos, os condutores de automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram juntar-se ao grupo de seus fiéis.
Ogum é único, mas, em Ire, diz-se que ele é composto de sete partes. Ògún méjeje lóòde Ire, frase que faz alusão as sete aldeias, hoje desaparecidas, que existiam em volta de Ire. O número 7 é, pois, associado a Ogum e ele é representado, nos lugares que lhe são consagrados, por instrumentos de ferro, em número de sete, catorze ou vinte e um, pendurados numa haste horizontal, também de ferro: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxó, símbolos de suas atividades.

Uma história de Ifá, publicada em outra obra, explica como o número 7 foi relacionado a Ogum e o número 9 a Oiá-Iansã. Conta a lenda:
“Oiá era companheira de Ogum antes de se tornar a mulher de Xangô. Ela ajudava o deus dos ferreiros nos seus trabalhos; carregava docilmente seus instrumentos, da casa à oficina, e aí ele manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ogum ofereceu a Oiá uma vara de ferro, semelhante a uma de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.

Sangô gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ogum bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares Oiá; esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. Sangô era muito elegante, muito elegante mesmo, afirmava o contador da história. Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher e usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionaram Oiá. Aconteceu, então, o que era de se esperar: um belo dia ela fugiu com ele. Ogum lançou-se a sua perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oiá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim Ogum foi dividido em sete partes e Oiá em nove, recebendo ele o nome de Ògún Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Iyámésàn – ‘a mãe (transformada em) nove’.”
Ogum é também representado por franjas de folhas de dendezeiros devidamente desfiadas, chamadas màrìwò. Elas serviam de vestimenta aos Igbá Imọlè, os duzentos deuses da direita, dos quais fala Epega, aqueles que, tendo se conduzido mal, foram destruídos por Olodumaré, com exceção de Ogum, que se tornou assim o guia, o condutor dos Irun Imọlè, os quatrocentos deuses da esquerda, os únicos, segundo ainda Epega, de que se pode falar sem perigo.
Esses màrìwò, pendurados acima das portas e janelas de uma casa ou à entrada dos caminhos, representam proteção, barreiras contra as más influências.
Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada dos palácio dos reis e nos mercados. Estão presentes também na entrada nos templos de outros orixás. São geralmente pedras em forma de bigorna colocadas perto de uma grande árvore, àràbà (Ceiba pentandra), ou protegidas por uma cerca de plantas nativas chamadas pèrègùn (Dracaena fragrans) ou de akòro (Newbouldia laevis). Nesses locais, periodicamente, realizam-se sacrifícios de cachorros e galos, acompanhados de oferendas de vinho de palma e pratos de feijão e inhame cozidos e regados com azeite-de-dendê.
O culto de Ogum é bastante difundido no conjunto dos territórios de língua ioruba e em certos países vizinhos, gêges, como o ex-Daomé e o Togo, onde é chamado de Gun. Ogum é, provavelmente, o deus ioruba mais respeitado e temido. Tomá-lo como testemunha no decorrer de uma discussão, tocando com ponta da língua a lâmina de uma faca, ou um objeto de ferro, é sinal de sinceridade absoluta. Um juramento feito envocando-se o nome de Ogum é o mais solene e digno de fé que se possa imaginar, comparável àquele que faria um cristão sobre a Bíblia ou um mulçumano sobre o Corão.
A vida amorosa de Ogum foi muito agitada. Ele foi o primeiro marido de Oiá aquela que se tornaria mais tarde mulher de Sangô. Teve, também relações com Osum antes que ela fosse viver com Osossi e com Sangô. E também com Oba, a terceira mulher de Sangô, e Ẹléfunlósunlórí, “Aquela-que-pinta-sua-cabeça-com-pós-branco-e-vermelho”, a mulher de Òrìşà Oko. Teve numerosas aventuras galantes durante suas guerras, tornando-se, assim, pai de diversos orixás, como Osossi e Oranian.
A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos dos deuses iorubas e, também, em virtude da sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam. Sem sua permissão e sua proteção, nenhum dos trabalhos e atividades úteis e proveitosas seriam possíveis. Ele é, então e sempre, o primeiro e abre o caminho para os outros orixás.
Entretanto, certos deuses mais antigos que Ogum, ou originários de países vizinhos aos iorubas, não aceitam de bom grado essa primazia assumida por Ogum, o que deu origem a conflitos entre ele e Obaluaê e Nanã Buruku, dos quais falaremos mais adiante.

Os oríkì de Ogum demonstram seu caráter aterrador e violento:
“Ogum que, tendo água em casa, lava-se com sangue”.
Os prazeres de Ogum são os combates e as lutas.
Ogum come cachorro e bebe vinho de palma

Ogum, o violento guerreiro,
O homem louco com músculos de aço,
O terrível ẹbọra que se morde a si próprio sem piedade.
Ogum que come vermes sem vomitar.
Ogum que corta qualquer um em pedaços mais ou menos grandes.
Ogum que usa um chapéu coberto de sangue.
Ogum, tu es o medo na floresta o temor dos caçadores.
Ele mata o marido no fogo e a mulher no fogareiro.
Ele mata o ladrão e o proprietário da coisa roubada.
Ele mata o proprietário da coisa roubada e aquele que critica esta ação.
Ele mata aquele que vende um saco de palha e aquele que o comprar”.  
Mas os guerreiros, mesmo os valorosos, têm algumas vezes momentos de fraqueza. Uma lenda africana nos conta como Ogum, voltando de uma guerra, em companhia de sua mulher, deixa-se atemorizar pelo coaxar das rãs, e como ele cortou a cabeça de sua mulher, que o havia humilhado contando essa aventura em público. Essa mesma lenda foi publicada por Lydia Cabrera, que a recolheu em Cuba.  

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ORIN ÒRÌ




BÍ O BÁ MÁÁ LÓWÓ
Se você quer ter dinheiro
BÈÈRÈ SI ÒRÌ RÈ
Pergunte a seu òrì
BÍ O BÁ MÁÁ SÒWÒ
Se você quer ser reconhecido
  
BÈÈRÈ SI ORÍÍ RÈ WÒ
Pergunte antes a seu orí
BÍ O BÁ MÁÁ KOLÉ
Se você quer ter casa
BÈÈRE SI ORÍÍ RÈ
Pergunte ao seu orí
BÍ O BÁ MÁÁ LÁYA O
Se você quer ter esposa
BÈÈRE SI ORÍÍ RÈ WÒ
Perguntes antes ao seu orí
ORÍÍ MÁSE PEKUN DE
Orí, não me feche as portas
L’ÓDÒ RÈ NI MO MBÓ
Para você que eu sigo (eu vou)
WÁ, SAYÁÈ MI DI RERE
Venha, faça meu caminho ser bom (próspero)


ÒRÌ MI Ò SÉRERE FUN MI
Meu orí faça o bem para mim
ÒRÌ MI Ò SÉRERE FUN MI
Meu orí faça o bem para mim
ÒRÌ OKA NI SANU OKA
ÒRÌ EJO NI SANU EJO
A cabeça da serpente não a maltrata
AFO MOPE NI SANU OPE
A trepadeira da palmeira não a maltrata(parasita)
ÒRÌ MI Ò SÉRERE FUN MI
Meu orí faça o bem para mim 

Ou Seja:

Aquilo que nós fazemos, é em nosso próprio beneficio.
Aqueles que fazem o mal se arrependam
Que as pessoas aproveitem o conhecimentoem função de coisas boas
Aqueles que parasitam,não destruam a fonte da sabedoria
   

Calendário Permanente

CALENDÁRIO PERMANENTE
TABELAS A - ANOS
TABELA B - MESES
1901 - 2000
2001 - 2092
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0
2
5
1
3
6
1
20
48
76

04
32
60
88
4
0
1
4
6
2
4
0
3
5
1
3
21
49
77

05
33
61
89
6
2
2
5
0
3
5
1
4
6
2
4
22
50
78

06
34
62
90
0
3
3
6
1
4
6
2
5
0
3
5
23
51
79

07
35
63
91
1
4
4
0
2
5
0
3
6
1
4
6
24
52
80

08
36
64
92
2
5
6
2
4
0
2
5
1
3
6
1




















TABELA C - DIAS DA SEMANA

 


 








D
1
8
15
22
29
36

 











S
2
9
16
23
30
37

 











T
3
10
17
24
31


 











Q
4
11
18
25
32


 











Q
5
12
19
26
33


 











S
6
13
20
27
34


 











S
7
14
21
28
35


 



















 












Exemplo de como descobrir o dia da Semana
Suponha que vc. queira descobrir o dia da semana que cairá em 01/01/2011.
Procure na Tabela A os últimos dois dígitos do ano de 2011 (neste caso, 11). Siga essa mesma linha à direita, parando no mês de janeiro da Tabela B. Ao número encontrado (neste caso, 6), adicione o número do dia que se deseja descobrir a semana (no caso dia 1º) e terá um resultado igual a 7. Verifique na Tabela C em que dia da semana cai o número 7. Neste caso seria em um Sábado, indicado na tabela C pela letra S.
Conheça o dia da semana em que vc. nasceu!
Asé o