sexta-feira, 15 de junho de 2012

Criação do Mundo (Catolicos)


Por um simples ato de sua vontade, Deus fez o mundo – a partir do nada, pois, no princípio, só Ele – Eterno – existia.

Conta a Bíblia, no Gênesis, que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. Estes "seis dias" correspondem a épocas que podem ter durado milhões de anos. Como já foi dito, a intenção do autor sagrado não era fazer obra científica. Sua finalidade era levar aos homens o conhecimento de Deus. Por isso Moisés usou a linguagem de seus contemporâneos, aludindo a fenômenos da natureza, empregando imagens alegóricas.

PRIMEIRO DIA

"No Princípio, Deus criou o céu e a terra", isto é, o mundo espiritual e o mundo corporal. Ai o céu é o mundo espiritual, o mundo de nosso destino definitivo, após vivermos no mundo passageiro. O mundo material começou em estado de caos (sem forma, nem luz).

A matéria primitiva, que foi chamada por Moisés de terra, por efeitos das leis naturais (estabelecidas por Deus), modificou-se. Esta evolução é devida não à essência da matéria, mas à vontade de Deus, expressa por Sua palavra criadora "Faça-se"

Segundo cientistas, esta matéria primitiva seria gasosa e ocupava o universo. Ora, isso não contraria a narrativa bíblica, pois todos os metais e todos os minerais elevados a uma temperatura suficiente se tornam gasosos, ocupando um espaço bem maior (todo o universo). Além disso, a análise espectral demonstra que o sol, os planetas e as estrelas fixas são compostos dos mesmos elementos que a terra, o que permite a conclusão de uma origem comum.

De acordo com a Bíblia, ainda, no "primeiro dia", Deus disse: "Faça-se a luz". A força de atração (Gravidade) e o choque dos átomos produziram a luz e o fogo.

"E a luz existiu". Imaginemos o clarão de uma imensa bola de fogo explodindo no espaço. (Calcula-se que essa explosão radioativa se deu há cerca de 18 bilhões de anos)

SEGUNDO DIA

No "segundo dia", Deus fez o firmamento e separou umas águas das outras. Houve a separação, ordenação e solidificação das massas criadas.

"E Deus chamou o firmamento de céu" (não se trata, ai porém, do céu dos espíritos, mas sim da atmosfera terrestre). Uma parte daquela massa cósmica, solidificada, passou a constituir a terra propriamente dita.

TERCEIRO DIA

A partir do "terceiro dia", deixando os outros astros, que continuaram a se formar, Moisés ocupa-se exclusivamente com a terra. Neste período (calculado por estudiosos em alguns milhares de anos depois de formada), a terra, em fusão, pelo contínuo resfriamento, passou do estado gasoso para o líquido. Continuando a perda de calor, formou-se a crosta sólida.

"As águas que estão debaixo do céu juntem-se num só lugar e apareça o elemento árido. E Deus chamou ao elemento árido, terra e ao conjunto das águas, mares". Com o solo úmido e sob a influência do calor e da luz, formou-se o ambiente para o surgimento da vida. E nasceram as plantas.
QUARTO DIA

No "quarto dia". Deus disse: "Sejam feitos, luzeiros no firmamento do céu e separem o dia da noite, sirvam para sinais e para distinguir os tempos, os dias e os anos".

Pelo contínuo resfriamento da terra, com as águas exalando menos vapor, os outros astros tornaram-se visíveis e, ao mesmo tempo, a influência do sol se manifesta na distinção dos dias e das noites e nas estações do ano.

QUINTO DIA

No "quinto dia" surgem os peixes e as aves. Pela primeira vez aparece a palavra VIDA. Aqui o autor volta ao verbo criar (omitido nos outros "dias"), querendo, talvez, significar que a vida, como a matéria bruta, só se poderia originar por especial intervenção divina.

SEXTO DIA

No "sexto dia", Deus fez os outros animais e, por fim, o HOMEM – o homem, como síntese, como acabamento, tendo em si todas as formas de vida (vegetativa, animal e racional).

SÉTIMO DIA

No "sétimo dia", "Deus descansou". "E abençoou o sétimo dia e o santificou". Santificar, significa "reservar para Deus". "Descansando", "abençoando" e "santificando" o "sétimo dia", Deus nos adverte que "o homem, elevando consigo as demais criaturas, deve voltar-se para Deus, onde tudo encontra repouso e consumação"

COMPLEMENTAÇÃO


Nenhuma das sentenças propostas para explicar a origem do universo procede além de uma massa de matéria primitiva, donde todos os corpos derivam. Esta massa é simplesmente pressuposta e os cientistas só traçam a gênese do mundo a partir dela. Isto é legítimo, pois a observação não lhes permite ir além. A sã razão, e muito mais a fé, compete completar o explicação da ciência.

A matéria não pode ser eterna, pois ela tem uma história ou evolução – e o que muda não tem, por si mesmo, plenitude de ser, perenidade ou eternidade. Ora, quem daria início à matéria primitiva, senão alguém eterno e imutável, tendo em si mesmo a perfeição do ser, conhecendo a razão de ser das coisas que mudam, que ora são, ora não são (pois passam por estágios diferentes), que hoje se apresentam de um modo, amanhã de outro?

Por um ato de soberana potência, somente Deus poderia fazê-lo. Esta é mais uma conclusão da reta inteligência, e uma das afirmações básicas da fé.

Sócrates, Platão, Aristóteles, gênios da humanidade, proclamaram em sua Filosofia a existência de um Deus, criador do universo. E os gregos em geral, além e acima de deuses de sua fantástica mitologia, admitiam um "Deus desconhecido". A idéia de uma divindade criadora está presente em todos os povos de todos os tempos.

Relativamente ao descanso de Deus, o homem deve trabalhar com ordem e harmonia – e fazer uma pausa para contemplar sua obra, analisá-la, meditar e, como criatura, louvar o Criador.

Depois da criação, "Deus viu todas as coisas que tinha feito e viu que eram boas".

Por Narayna Sad

sexta-feira, 18 de maio de 2012

OYÀ MESAN ÒRUN

O número 9, ligado a Oyá, está na origem de seu nome Iansã e encontramos esta referência no ex-Daomé, onde o culto de Oyá é feito em Porto Novo sob o nome de Avsan, no bairro Akron (Lokoro dos Iorubas) e sob o de Absan, mais ao norte em Baningbe. Esses nomes teriam por origem a expressão Aborimsan (com nove cabeças), alusão aos supostos nove braços do delta do Níger.
O culto de Oyá não se limita aos mortos, Oyá antes de tudo é um Òrìṣà das águas, como Òsun, Yemonjá, Nàná e etc., ela é um Òrìṣà da vida. Oyá tem seu culto relacionado ao rio Níger, mas ela pode e deve ser cultuada nas águas de um rio, independente de qualquer coisa. O que muda é a representação das águas dos rios.

Os rios dentro do culto de Oyá representam caminhos seguros, caminhos que nos levam ao fim devido, são as águas que nos guiam. Por esta razão é que Oyá é chamada de a Mãe que guia, é ela quem guia os mortos para um das nove dimensões do universo. Foi essa a incumbência que ela recebeu de Òlodúmarè, guiar os mortos de acordo com suas ações para um dos nove céus, para assumir tal cargo Oyá recebeu do feiticeiro Òsóòsi uma espécie de erukere especial chamado de Erusin com o qual estaria protegida no trato com os Eguns

 Orí o! Orí Oyá, mo gbe de.
Oyá mesan, mesan, mesan.
Oyá oriri, o o o.
Oyá mesan, a ji l'oda òrìṣà.
Ori o, ori ol' Oyá, mo gbe de.
Orí mi!
Orí Oyá, mo gbe de.

O Orí do iniciado,
O Orí daquele que é iniciado em Oyá está aqui.
Oyá, que se desdobra em nove partes.
Oyá, a grande mulher, charmosa e elegante.
Oyá, que se desdobra em nove partes.
Òrìṣà que usa a espada ao acordar.
O Orí do iniciado, o Orí daquele que é iniciado em Oyá está aqui.
Meu Orí.
“O Orí daquele que é iniciado em Oyá está aqui.”

Transcrevemos acima orin (cantiga) de Oyá, citado pelo Prof. Sikiru Salami em seu livro "A mitologia dos Òrìṣà africanos". Nesta cantiga está presente a associação entre Oyá e Orí. Esta associação nós encontramos, com grande frequência, em muitos Oríkì (saudações) e Adura (rezas) do ebora Oyá.

Ela é chamada muitas vezes de: Oyá, a tun ori eni ti ko sunwon se,

Ou seja: Oyá, aquela que melhora o mau Orí.

Diz-se também: Mo b' Oyá wa. Mo m' ase Oyá b'ori. Orí mi gba 're,

Significando: Estou com Oyá. Estou com o Aşẹ de Oyá em meu Orí. Meu Orí recebeu sorte.
 
Entre os ebora femininos, Oyá é a que mais próxima se encontra do homem, refletindo suas angústias, representando sua relação com a vida e a morte, traduzindo o encontro entre o homem e a mulher, a paixão e a força vital neste encontro presentes.

Tendo, fora de qualquer dúvida, sua natureza divina assegurada, Oyá divide com Şàngó a natureza humana deste ebora, compartilhando seus projetos, associando-se a ele em suas batalhas e unindo-se de tal forma a sua figura que se pode dizer,

Oro ti Şàngó ba so,
Oyá lo ma tumoo re.
Eyin o mo pe Oyá lo maa gbo,
Oro ti Şàngó so ku.
Oro ti Şàngó fe so,
Oyá lo maa so.

O que Şàngó disser,
Oyá vai interpretar.
Vocês não sabem que Oyá vai entender o que Şàngó nem acabou de dizer?
O que ele quiser dizer,
Oyá é quem dirá. 

Enquanto Oyá está associada ao relâmpago, Şàngó está associado ao trovão, formando, desta forma uma união simbólica entre os elementos masculinos e femininos, coparticipantes do processo de criação da vida e, na sua comunhão, certeza da continuidade dessa vida. Pares que, ao mesmo tempo em que se associa se representam mutuamente, contendo cada um o elemento presente no outro.

Esta representação é tão marcante que podemos mesmo dizer que Oyá é o aspecto feminino de Şàngó, ou ainda, que Şàngó é o aspecto masculino de Oyá, denotando, desta forma a íntima relação e funcionalidade entre os gêneros, garantia da geração da vida e de sua perpetuação na criação - Òrun e ayè, íntima e indissociavelmente ligados dentro do projeto de Òlodúmarè.
De um lado a vida, de outro a morte - ciclo que se repete indefinidamente no "sempre aqui e agora" do universo.
Segundo Juana Elbein dos Santos, em seu livro "Os Nagô e a Morte", ÒYA "... está associada a um aspecto do ar, ao vento e particularmente à tempestade e ao relâmpago (ar mais movimento = fogo); e está associada aos ancestrais masculinos que ela dirige e maneja..."

Um Itan do Òdú Òsa méjì, relatando sobre os sacrifícios feitos por Oyá para ter crianças, diz que:

" eles pegaram a carne de ovelha e fizeram remédio para ela. E ela comeu. Quando ela deu à luz, ela deu à luz nove crianças. Ela é "a mãe que teve nove". E isso é como Oyá tornou-se Iansã, "a mãe dos nove". A carne de ovelha que ela comeu como prescrição para ter crianças nunca mais tocou seus lábios novamente. Isso é porque Oyá não come ovelhas e esse animal é èwò (tabu) para os seus adoradores..."

Pela sua relação com Eegun e o mundo dos mortos nos é possível entender o papel de Oyá nos rituais de passagem que marcam a integração entre vida e morte. A yalòrìsá Stella de Osoosi, em seu livro "Meu tempo é agora", relata um mito de Oyá que nos dá a
dimensão da relação do ebora com as cerimônias fúnebres dentro da esin Òrìṣà e que resumimos a seguir.

“Oduleke, chefe de uma linhagem ilustre de caçadores e pai ancestral de todos os Odes, era casado com Osun e tomou uma criança para criar”. Esta criança, esperta e alegre, tornou-se a preferida de seu pai adotivo e recebeu o nome de Oyá. A criança cresceu e tornou-se uma jovem que apreendeu com os pais as artes da caça e os segredos da magia.

Um dia, velho e alquebrado, Oduleke é levado pela morte. Oyá, entristecida, resolve fazer uma homenagem ao pai. Para tanto, reuniu os pertences de caça de Oduleke enrolando-os em um pano por ela bordado. Preparou as comidas prediletas de Oduleke e convidou todos os chefes caçadores para a cerimônia fúnebre.

Cantando e dançando, durante sete dias carregou na cabeça o "carrego" com pertences de caça do pai. Sua voz foi levada aos quatro cantos do mundo pelo vento, seu elemento mágico, e de todos os lugares se apresentaram multidões de caçadores. Ao fim da sétima noite, Oyá acompanhada por todos os Ode foi depositar o "carrego" ao pé de uma árvore sagrada situada dentro da mata. O pássaro agbe, de penas azuis e brilhantes, deixou o galho da árvore voando para o firmamento.
 
Oduleke em Òrìṣà e Oyá na mãe dos espaços sagrados.” Desta forma estava criado o ajeje - vigília do caçador (chamado no Brasil de asese), ritual fúnebre dentro da religião do Òrìṣà.

Oyá está intimamente associada ao vento, então, podemos entender que ela exerce papel essencial no processo de fertilização do reino vegetal, através da polinização, transporte do pólen de uma planta para outra, permitindo sua fecundação e a sua multiplicação. Da mesma forma, transporta sementes, permitindo que o reino dos ebora Odé tenha garantida sua existência e continuidade.

Essa hipótese, sem dúvida, merece estudo e trabalho específico, capaz de nos permitir ampliar a perspectiva com que cultuamos o ebora Oyá e possivelmente, encontrá-la em toda a sua grandeza e dimensão.

Um Itan do Òdú Ogbè méjì relata que Èşú, querendo castigar uma ave que não fizera os sacrifícios prescritos por Ifá, lançou mão de Oyá para ajudá-lo... Então adaba foi para o topo de outra árvore e colocou ovos lá.
Aqueles que ela colocou e os fazendeiros não podiam vê-los;
 
Èşú disse, 'Você Oyá, você os viu? '
E Oyá balançou a árvore e os ovos de abada caíram no chão...
Èépàà heyi!

Oyá é saudada com a frase èépàà heyi! Onde "èépàà" representa uma recomendação de calma, expressando quase terror diante de um poder incontrolável para o homem e "heyi" é a reprodução do brado gutural emitido por Oyá quando, incorporada em seus filhos, identifica-se aos presentes.

Novamente é num verso de Ifá que podemos encontrar e origem deste brado.
A descrição da origem do grito contida no oráculo apresenta-o como reflexo da violenta ameaça da deusa, em decorrência da negligência dos homens, de destruir o mundo e não apenas torná-lo seco e estéril como pretendeu Òsun.

Flechas-de-caça-colocam-o-caçador-em-dúvida
Chuva-torrencial-dispersa-o-mercado-do-rei-de-Ifá
Estes são os nomes dos sacerdotes que Consultaram Ifá para Olúgbìjì,
uma pessoa de bem quando o encontraram em meio à rebelião.
Há um Òrìṣà, disseram os adivinhos, na sua família – Òrìṣà Dona-do-fogo.
Oh, disse Olúgbìjì, essa é Oyá.
Ela tem estado na família há muito, muito tempo.
Então você deve oferecer a ela, disseram eles, Duzentas porções de inhame amassado, uma sopa de gbegiri, uma cabra branca, seis galos e 21 pedras.
Oyá aceitou a oferenda.
Ela se preparou.
As pessoas suplicaram:
Oyá dakun (Oyá, nós lhe imploramos!)
Mas Oyá não atendeu porque estava decidida a destruir completamente os inimigos de Olúgbìjì.
E dizer Oyá dakun! de nada adiantava.
Eles não a demoveram.
Se você continuar com isso, Oyá, disseram as pessoas,
Você destruirá o mundo inteiro.
Você tem que aprender a aceitar um pedido.
Vá comprar um escravo, Oyá, eles disseram.
Um escravo saberá como respeitá-la.
Ele conhecerá todas as suas proibições
E ensinará as pessoas quando se arriscam a ofendê-la.
Ele fará seu nome cada vez mais conhecido.
O nome deste escravo era Ehin (dente)
Que nome esquisito! Disse Oyá.

Deve ser Heyi, ela bradou.
Depois disso, sempre que Oyá se enfurece as pessoas chamam Heyi,
Que é o que a pessoa possuída por Oyá chamada Heyi!
Mas a pessoa possuída não chama, não sabe!
É a própria Oyá que está chamando.

Agradecimento ao irmão 
Bàbàláwo Ifálola Agboola
Bons conhecimentos sendo compartilhado